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Mostrando postagens de 2019
Branca e Preto Oceano de ar iluminado por tons de azul e laranja, tons de uma felicidade, teimosa, que não chega. Ela vem anima o meu corpo e vai embora. Tu era a alegria mais sombria que conhecia. Éramos em todos encontros encharcados de amor, de calor e de prazer. Éramos únicos um para outro. Não existia racionalidade em nossos corpos. A tua pele escorregando pela minha dispensava explicação. Sentir era a ordem de estar juntos. Tenho certeza que vamos nos perguntar porque nos separarmos se em nós permanece o querer do outro e vamos descobrir que perdemos tempo com o rancor, a dor e o sofrimento ao invés e ter ficado com que sabíamos que era perfeito. Te amo!

Viajar só

Neste momento dia 17 de janeiro de 2019, estou no aeroporto em Porto Alegre, vou visitar minha família capixaba. Estou sozinha, nos últimos anos que passaram, construí relações de amizade e de afeto que alimentam minha alma, são minhas verdades, abro whatsapp e escuto um áudio de amigo B. e choro silenciosamente porque ele fala com sua voz mansa: "valorizo esse teu momento que pões em prática outras identidades além de mãe e professora. A emoção vem justamente da delicadeza, mas vem da mutilação de perceber que nos meus últimos 20 anos fui apenas companheira, mãe e professora. Não fui mulher não me arrisquei, fui contida em um casamento que mesmo por amor me amarrou e moldou a percepção fracassada de mim: fui louca, gorda, indesejável sexualmente, tive que me medicar para sobreviver todos dias. Não fui mulher, na realidade não sei o que ser mulher, estou aprendendo com o estar só, com outras mulheres e entendo os discursos sobre nós. E o que não somos nós. Também aprendo com a...
Tudo quebrado, Desalinhado, Fora do lugar, Cacos, Desmontada. Eu sendo eu pela metade, procurando o inteiro na lasca, na ferida, podre, larva. Eu nojo, Sem som, Distorcida, Translúcida, Fugindo, Finda.

Versões

Eu entrei no carro cheia de versões, atirei as malas... O silêncio tomou conta do meu corpo. Cai dentro das minhas vibrações... A primeira lembrança foi teu sorriso largo e teu abraço, um calor, uma memória, depois  você na porta da nossa casinha2, falando sobre nosso amor, as lágrimas escorriam, as músicas tão nossas como trilha, o silêncio caos... Tão estranho partir sem te dar tchau, estranho olhar teu chinelo no meio da sala que cabe dois pés meus em um só e colocar todos dias esperando tu chegar... Sentir por toda cidade teu cheiro, saber que teu corpo escapou pelas minhas mãos. Estranho admitir que mesmo com tanta dor meu coração permanece estacionado, fixo, ligeramente teu.