Neste momento dia 17 de janeiro de 2019, estou no aeroporto em Porto Alegre, vou visitar minha família capixaba. Estou sozinha, nos últimos anos que passaram, construí relações de amizade e de afeto que alimentam minha alma, são minhas verdades, abro whatsapp e escuto um áudio de amigo B. e choro silenciosamente porque ele fala com sua voz mansa: "valorizo esse teu momento que pões em prática outras identidades além de mãe e professora. A emoção vem justamente da delicadeza, mas vem da mutilação de perceber que nos meus últimos 20 anos fui apenas companheira, mãe e professora. Não fui mulher não me arrisquei, fui contida em um casamento que mesmo por amor me amarrou e moldou a percepção fracassada de mim: fui louca, gorda, indesejável sexualmente, tive que me medicar para sobreviver todos dias. Não fui mulher, na realidade não sei o que ser mulher, estou aprendendo com o estar só, com outras mulheres e entendo os discursos sobre nós. E o que não somos nós. Também aprendo com a...
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